Perfil epidemiológico e preditores de mortalidade de uma unidade de terapia intensiva geral de hospital público do Distrito Federal

Autores/as

  • Cláudio Mares Guia Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)
  • Rodrigo Santos Biondi Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Santa Helena-DF
  • Sidney Sotero Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)
  • Alexandre de Almeida Lima Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)
  • Karlo Jozefo Quadros de Almeida Coordenação de Pesquisa e Comunicação Científica da Escola Superior de Ciências das Saúde (CPECC/ESCS/FEPECS/ SES-DF)
  • Fábio Ferreira Amorim Coordenação de Pós graduação e Extensão da Escola Superior de Ciências das Saúde (CPEx/ESCS/FEPECS/ SES-DF)

DOI:

https://doi.org/10.51723/ccs.v26i01/02.156

Resumen

Discussão
Esse estudo mostrou características relevantes da população atendida pela UTI do Hospital Regional do Paranoá. Assim como foi observado em estudos realizados em outras UTI no Brasil e no Mundo, a média de idade foi elevada1,2,6-11. Porém, a população atendida foi ainda mais idosa do que a relatada na literatura, pois 37,5% da população estudada encontrava-se acima de 80 anos. Como exemplo, um estudo realizado nos EUA, mostrou que pacientes com
idade acima 65 anos corresponderam a 45,7% das admissões, sendo que apenas 8,6% eram pacientes acima de 80 anos12. Como a população de idosos no Mundo está aumentando, a proporção de idosos admitidos nas UTI tende a crescer. Um estudo recente realizado na Austrália e Nova Zelândia mostrou um
acréscimo anual de aproximadamente 5,6% na quantidade de pacientes acima de 85 anos nas UTI daqueles países13
É importante ainda salientar que a idade não esteve associada a maior mortalidade, o que já foi observado em estudos prévios que avaliaram especificamente populações de pacientes idosos. Porém, esse é um achado que ainda permanece controverso. Como explicação, alguns estudos sugerem que o prognóstico de pacientes idosos internados em UTI, especialmente nos muito idosos, está muito mais relacionado ao grau de severidade da doença aguda, comorbidades
e estado funcional do que à idade de forma isolada7,14-18. Estes estudos condizem com o que foi observado no presente estudo, pois a mortalidade esteve associada a gravidade inicial do quadro clínico, avaliada por meio do escore APACHE II, e a dependência para mobilidade.
Além de pior mortalidade, o estado funcional do paciente anterior à internação na UTI também esteve associado à piora de outros desfechos como a presença de úlcera de pressão, tanto na admissão quanto na alta da UTI, fato que foi observado sobretudo nos pacientes restritos ao leito. Nesse aspecto, diversos estudos já demonstraram a importância do impacto da funcionalidade física, mental e social nos desfechos de pacientes internados em UTI, em particular
de pacientes idosos7,9,10,14-22.

Em relação aos motivos de internação, a maioria dos pacientes teve doenças respiratórias como diagnóstico principal, seguidas das doenças cardiovasculares. Pesquisas epidemiológicas com perfis populacionais semelhantes à população estudada, apresentam resultados similares6-9,24-26. Em particular o hospital estudado é referência em fraturas de quadril, o que foi determinante para maior prevalência desse diagnóstico na população estudada, não tão comum
em outros estudos. Especialmente nesse grupo de pacientes, a adoção de estratégias que visam a redução do risco de traumas e quedas com consequente redução dos casos de fraturas de quadril é importante para prevenir a necessidade de internação na UTI e a morbidade/mortalidade como medidas educativas para redução de comportamentos de risco, adaptação do domicílio e ajuste do tratamento farmacológico12,27.
Outro aspecto que merece ser salientado é que a grande maioria dos pacientes atendidos eram procedentes da Região Administrativa de Brasília e das Cidades Satélites do Distrito Federal.
As UTI são recursos caros e escassos. Tendo em vista a demanda crescente por leitos de UTI e seu alto custo, o conhecimento do perfil epidemiológico
e prognósticos de populações específicas de pacientes atendidos por estas unidades é muito importante. Nesse aspecto, estudos que visam a uma melhor caracterização dos fatores prognósticos na população de pacientes idosos são necessários de modo a estabelecer metas adequadas de atendimento a este grupo de pacientes.
Conclusão
A população de idosos (acima de 65 anos de idade) e muito idosos (acima de 80 anos de idade) constituíram a maior proporção dos pacientes admitidos na UTI do Hospital Regional do Paranoá. A mortalidade foi elevada e esteve associada ao grau severidade da doença aguda e ao estado funcional prévio do paciente à admissão na UTI.

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Biografía del autor/a

  • Cláudio Mares Guia, Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)

    Médico Intensivista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Médico da UTI adulto do Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)

  • Rodrigo Santos Biondi, Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Santa Helena-DF

    Médico Anestesiologista e Intensivista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Médico Rotineiro da UTI do Hospital Santa Helena-DF

  • Sidney Sotero, Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)

    Médico Cardiologista e Intensivista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Chefe da UTI adulto do Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)

  • Alexandre de Almeida Lima, Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Hospital Regional do Paranoá (SES-DF)

    Médico Cardiologista e Intensivista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) Chefe da UTI adulto do Hospital Regional do Paranoá (SES-DF) 

  • Karlo Jozefo Quadros de Almeida, Coordenação de Pesquisa e Comunicação Científica da Escola Superior de Ciências das Saúde (CPECC/ESCS/FEPECS/ SES-DF)

    Médico Clínico. Coordenador de Pesquisa e Comunicação Científica da Escola Superior de Ciências das Saúde (CPECC/ESCS/FEPECS/ SES-DF)

  • Fábio Ferreira Amorim, Coordenação de Pós graduação e Extensão da Escola Superior de Ciências das Saúde (CPEx/ESCS/FEPECS/ SES-DF)

    Médico Intensivista. Coordenador de Pós-graduação e Extensão da Escola Superior de Ciências das Saúde (CPEx/ESCS/FEPECS/ SES-DF)

Referencias

Publicado

2018-03-22

Número

Sección

Saúde Coletiva

Cómo citar

1.
Perfil epidemiológico e preditores de mortalidade de uma unidade de terapia intensiva geral de hospital público do Distrito Federal. Com. Ciências Saúde [Internet]. 22 de marzo de 2018 [citado 11 de febrero de 2026];26(01/02). Disponible en: https://revistaccs.espdf.fepecs.edu.br/index.php/comunicacaoemcienciasdasaude/article/view/156

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